
IMAGENS DA VIDA REAL
Num mutismo silencioso , sepulcral, funéreo
Lias de orvalho prateado dos olhos caindo
Pelo rosto cadavérico, cheirando a cemitério,
Que as sombras da morte vão já cobrindo.
Arrastando o seu corpo dorido vegeta
O velho e triste operário esquecido
Logrando alcançar no pouco que lhe resta
Um tanto daquilo que lhe é devido.
O não se envergonhar de ser reformado,
O direito a uma velhice digna e feliz,
O não ter de se sentir como um exilado
Dentro da sua terra e do seu país.
O direito a viver como qualquer cidadão,
O direito de estar integrado na sociedade,
O de cada dia que passa ter pão
Sem ter que implorar caridade.
De quem passa a vida a trabalhar
Ter reforma é seu pleito.
Ninguém pode nem deve espoliar
Aquilo a que o ser humano tem direito.
Que aos deuses chegue o brado
De tanta injustiça sem nome
Porque também ter fome é pecado
E há tanta, tanta gente com fome...