Sim, a derrota do PS na Guarda tem um rosto, mas não é de todo, o de quem no dia 29 assumiu para si a culpa da derrota.
Mas disso se tratará mais à frente, nas linhas que se seguem.
Seria hipocrisia da minha parte, se depois de tanta publicação dedicada a este tema durante os últimos nove ou dez meses, me remetesse agora ao silêncio.
Sendo do conhecimento de todos os que acompanharam o que por aqui fui lavrando, de que nunca votaria em Amaro, tenho que reconhecer que se essa foi a vontade de todos aqueles que residindo na Guarda lhe deram o voto de confiança, tenho o dever de respeitar a escolha e esperar que os vencedores façam o melhor trabalho possível em prol da Guarda que amamos.
Porém, há questões que não queria deixar passar em branco.
_Faz-me alguma confusão o número de amigos que vejo a manifestar o seu regozijo pela vitória da direita na Guarda depois de conhecidos os resultados, quando comparado com o número de amigos que manifestaram publicamente o seu apoio ao candidato ganhador antes das eleições. A diferença é simplesmente abismal.
Dirão por ventura alguns "não me manifestei antes por ter medo de represálias", como já vi escrito até em páginas oficiais de candidaturas.
Mas que raio de gente é essa que se esconde por detrás deste argumento? Medo?!!
Assim sendo, não estão a ignorar todos aqueles que se impuseram contra a ditadura?!
Agindo assim, ainda hoje estávamos privados da liberdade que todos temos em nos manifestar.
_Dizem por aí que Amaro ganhou porque havia uma "Enorme vontade de mudança".
Dizem agora "à boca cheia" que Amaro ganhou porque a Guarda estava farta da governação socialista.
Não nego esse pensamento aos verdadeiros apoiantes do candidato laranja, mas para uma grande parte dos eleitores que lhe deram a vitória, a razão foi outra.
Amaro não ganhou por mérito próprio, bem como Igreja não perdeu por sua única responsabilidade.
A derrota do PS na Guarda tem um nome, Virgílio Bento.
Para mim, a candidatura de Virgílio Bento foi tudo menos uma candidatura independente.
Virgílio, perdeu eleições dentro de um partido, a escassos meses de lançar a sua candidatura dita "Independente".
Virgílio, tinha toda a legitimidade para concorrer como independente se houvesse afirmado "sou candidato à CMG independentemente de ter ou não o apoio do Partido Socialista" antes de ir a votos na Concelhia que chegou a presidir.
Manuel Alegre por exemplo, teve essa coragem em relação às presidenciais.
Não nego que na candidatura "A Guarda Primeiro" havia muita gente com esse sentido de independência política. Não era manifestamente o caso de Bento e Rodrigues.
Diz-se agora, eu próprio coloquei a questão, que "o feitiço se virou contra o feiticeiro", quando Igreja impugnou a lista de Bento.
Mas não podemos fazer este juízo sem voltar a trás no tempo.
A essência da derrota socialista esteve na falta de espírito democrático da parte do então candidato a candidato nas estruturas internas do PS e que saiu vetado pelos seus pares.
Nada tenho contra candidaturas independentes.
Sou até cada vez mais adepto desse direito democrático em fazer emergir do povo anónimo, do povo apartidário, aqueles que nos podem governar.
Mas terão de ser independentes mesmo!
Se me custa a compreender a forma como os eleitos como independentes nas listas dos partidos, rapidamente são "absorvidos" por aquelas organizações políticas e passam então a militantes; mais me custa a entender que tão repentinamente se passe de presidente de uma concelhia partidária para uma militância independente...
Como referi mais que uma vez durante as últimas semanas, o movimento "A Guarda Primeiro" fez bem à Guarda pelo debate de ideias, mas também porque este movimento estava muito para além de Virgílio e Rodrigues.
Para finalizar, desejo profundamente os maiores sucessos a Álvaro Amaro, enquanto presidente da CMG. Porque os seus sucessos serão os sucessos da Guarda.
PS: Sobre as eleições autárquicas, nada mais me ouvirão.
O presidente da "Junta"